Hoje vamos falar um pouco da segunda temporada de Arrow. Para muitos fãs, até o momento, é a melhor temporada da série. E, passados 9 episódios da terceira temporada eu só posso concordar. Isso a menos que a série nos surpreenda positivamente como fez na segunda.

Digo que a segunda temporada também começou devagar. Foram necessários 7 ou 8 episódios para a temporada engrenar. Muito se deve à atuação soberba de Manu Bennett que encarnou novamente Slade Wilson, um personagem que havia sido encontrado por Oliver na primeira temporada. Slade foi o mentor de Oliver e o fez sair daquele estado de menino rico e mimado e perceber a sua situação dentro da ilha de Lian Yu. Desde que o Exterminador apareceu na primeira temporada eu imaginei que, em algum momento, o personagem antagonizaria Oliver. As interações entre os personagens são muito interessantes. Quando Slade é exposto ao mirakuru, o ator consegue passar bem aquela sensação de perda e, ao mesmo tempo, de insanidade. Sim, ele queria se vingar, mas talvez não com toda a preparação que ele teve contra o protagonista.

Ao longo dos 23 episódios, Oliver luta contra a sua natureza assassina na qual foi ensinado ao longo de seus cinco anos longe de sua família. Esta é uma temporada onde o Arqueiro quer se tornar um herói. Então ele faz um voto de não matar (ou pelo menos evitar ao máximo). Quando o Exterminador aparece, Oliver perde tudo o que ele reconquistou com o seu retorno: família, fortuna e confiança. Ele vai precisar buscar força nos seus novos aliados, Dig e Felicity para enfrentar essa nova ameaça. O ator cresceu bastante nessa temporada. Vemos o crescimento do personagem que vai se tornando mais experiente e mais calejado para enfrentar seus adversários.

Os aliados de Oliver ganham bastante destaque nesta temporada. Dig e Felicity realmente se tornam essenciais à trama. Gostei do enfoque dado ao Dig em alguns episódios. Pudemos ver um pouco de seu passado como militar, ao mesmo tempo em que tivemos excelentes episódios onde ele vai atrás de Deadshot, o assassino de seu irmão. O episódio em que ele é obrigado por Amanda Waller a trabalhar com o Esquadrão Suicida é excelente. Aliás, as cenas de ação da série só melhoraram com o passar do tempo. Já Felicity não teve tanto foco assim, mas os fãs se apaixonaram pela personagem. De fato, Emily Bett Rickards tem muito carisma. Ao encarnar nossa amada hacker nerd, ela conseguiu passar muito mais proximidade com os fãs do que Katie Cassidy que tem o carisma de uma ervilha (diga-se de passagem, Katie melhorou 20% nessa temporada). Tanto Arrow como Flash sofrem da síndrome das mocinhas insossas: Laurel é tão chata quanto Iris West. A personagem ocupa espaço com o romance que não é comprado pelos fãs. Tudo isso é compensado pelo carisma crescente de Felicity. Em um mundo nolanesco, Felicity dá o tom da comédia na trama.

Eu achei que a família do Oliver foi um problema ao longo da temporada. Compreendo que a cena onde Slade leva a sua vingança contra a família de Oliver é necessária. Mas, por exemplo, Thea Queen fica perdida ao longo de toda a temporada. Willa Holland ainda é uma atriz que precisa crescer, coisa que a sua personagem consegue no início desta terceira temporada. Mesmo quando a colocam junto com Roy Harper e eles formam o casal bonitinho, a personagem continua sendo meio desnecessária em alguns momentos para a trama. A mãe de Oliver acaba ganhando importância mais para a metade final da trama. Achei interessante que ela tivesse mais alguns segredinhos na manga. E essa foi a temporada para ela tentar se redimir pelo que houve na primeira temporada.

Vou destacar aqui Roy Harper que aparece ao longo da temporada. Achei que ele poderia ter tido mais enfoque, mas compreendi que os produtores deixaram isso para mais tarde. A inserção dele no grupo de Oliver se deu de uma forma meio forçada, mas compreendo. Oliver precisava de um parceiro para futuras histórias e o começo do surgimento do Arqueiro Vermelho se fazia necessário. O plot do personagem com mirakuru foi mal desenvolvido. Me pareceu que os produtores esqueceram às vezes que o mirakuru deixava as pessoas malucas. Mas, diante de tantos acertos na temporada, esse foi um mal menor.

Caity Lotz encarnou uma Canário muito interessante. Gostei da mescla de histórias com a Liga dos Assassinos. Dessa forma, cria-se um antagonista poderoso para Oliver encarar em futuras histórias (como é o caso da terceira temporada). Infelizmente a atuação da atriz deixou a desejar. Queria me empolgar de vez em quando com ela, mas não aconteceu. Acho até que a atuação da Caity Lotz na segunda temporada foi melhor do que a de Katie Cassidy. Por isso até aceitei numa boa o romance entre os personagens, apesar de ser muita sacanagem aceitar que o cara que gosta da mocinha, pega a irmã da mocinha e todos estamos felizes e contentes. Achei curioso que os fãs de Arrow são tão ardorosos que surgiu até um movimento #MorraCanário. Bem… vocês conseguiram… só criaram uma Canário pior para substituir a que morreu.

E, por falar em Katie Cassidy, temos que falar um pouco dela. O sentimento de culpa dela com a morte de Tommy não convenceu ninguém. A atriz sofre do problema de não conseguir transmitir bem suas emoções. De vez em quando chega a parecer forçado. O plot em que ela se torna uma alcoólatra era para que os fãs pudessem ganhar um pouco de interesse por ela, mas não funcionou. Só ressaltou ainda mais as falhas da personagem. Talvez eu esteja sendo um pouco crítico demais com ela e acho até que ela melhorou um pouquinho nesta temporada. Mas, empurrar a Laurel goela abaixo como par romântico do protagonista está sendo complicado. Até entendo a necessidade de manter o mínimo de fidelidade com os quadrinhos, mas, a menos que a atriz melhore bastante, fica bem difícil. Quando a personagem de apoio é mais interessante que o par romântico, os fãs, principalmente os shippers, vão torcer o nariz para a Laurel.

Falando um pouco dos vilões, tivemos alguns bem interessantes. Summer Glau (nossa eterna Terminator) encarnou Isabel Rochev. A atriz é fantástica, continua entregando boas interpretações e é a queridinha dos geeks de plantão. Ela poderia ter sido mais explorada ao longo da temporada, principalmente na questão da disputa pela empresa. Os produtores poderiam ter sugado mais da atriz que teve bons momentos principalmente quando antagonizava Oliver. Mais tarde ela se torna o par de Slade. Achei só que a vestimenta dela não ficou boa. Entendo que é baseada nos quadrinhos, mas podiam ter dado um reboot para não ser motivo de chacota. Bronze Tiger e China White deram bons vilões genéricos para o Oliver. A entrada do Bronze Tiger para o Suicide Squad foi bacana porque o vilão representa os músculos do grupo. Não é necessário tanto desenvolvimento assim para ele. Já China White parece que ganhou uma importância maior na terceira temporada. Gostei dos combates entre Kelly Hu e Stephen Amell: muito bem coreografadas. Realmente Kelly Hu teve um excelente mentor; não esqueçam que o lendário Sammo Hung (ator e produtor de diversos filmes de Jackie Chan) atuou muitas vezes com ela.

Gostaria de ver Dylan Neal de volta na série. O Anthony Ivo que ele interpretou ficou excepcional. Não me recordo se nos quadrinhos o Dr. Ivo renasce ou é trazido de volta para algum vilão. Se não me engano ele é o Hyde nos quadrinhos. Isso me faz lembrar também de outro momento brutal que foi o surgimento de Solomon Grundy. Não sei se o vilão continua, se será com outro ator ou sequer se ele retornaria para mais episódios. Só sei que o combate com Oliver Queen foi um daqueles momentos de tirar o fôlego. As porradas que o Arqueiro toma neste episódio doeram até em mim.

Eu poderia falar de outros personagens como Tockman (o Rei Relógio) ou o Conde interpretado muito bem por Seth Gabel ou até um pouco da Caçadora que retorna para alguns episódios. Mas, sinto que minha postagem ficou um pouco longa. Deixarei para comentar mais alguns pontos em outra postagem. Por enquanto, é só.

Anúncios