Temática:

O Império Galático possui 12 mil anos. E possui pujança, grandeza e estabilidade. Ao menos em sua fachada. Mas ele está em pleno declínio, lento e gradual. E, no final, culminará com uma regressão violenta da sociedade e a conseqüente destruição do conhecimento. Preocupados com isso, um grupo de cientistas traça um plano pela preservação do conhecimento adquirido. Vencedor do prêmio Hugo, como a melhor série de FC de todos os tempos, este é o livro inicial da Trilogia da Fundação.

Impressões:

Fundação é um dos livros clássicos de ficção científica do século XX. É inegável o que a obra representa para o gênero literário. Asimov coloca no papel um conceito fantástico em que ele apresenta um universo construído ao longo de vários séculos. E ele faz isso com uma certeza e uma fluidez que acabamos por achar natural. Poucas vezes paramos para analisar (aqueles que acabam investindo na trama) que estamos nos referindo a um espaço de tempo de vários séculos.

Esse talvez seja o único ponto negativo nesta obra. O personagem principal é a Fundação. Não existe um protagonista que vai lutar contra as adversidades e derrotar o vilão. A própria história da Fundação é que está sendo discutida. Temos vários personagens que estarão no meio dos acontecimentos ou que agirão como nossos olhos. Hari Seldon e sua psico-historia, Salvor Hardin e sua capacidade de liderança e Hober Mallow com seus colegas mercadores. Todos vêm e vão. Não há tempo para nos apegarmos a eles porque estamos vendo de cima a Fundação. Para a Fundação estes personagens são apenas passageiros, grãos de areia em uma história que perpassa gerações. E eu digo que Fundação é um livro para poucos porque foge desses padrões narrativos. Eu adoro o livro. Para mim, entra fácil em qualquer lista de top10 do século XX.

A narrativa corre bem; chega a ser veloz em algumas partes. Quando nos damos conta do que está acontecendo, um evento Seldon acontece e somos atirados adiante. Isso contribui para a história não ficar maçante. Uma das minhas críticas ao Asimov é que ele gosta de explicar demais as coisas. Mas, isso é tema para outras análises já que nesse livro ele encontra a medida perfeita disso.

Pensar que a primeira trilogia da Fundação foi publicada em folhetins chega a ser absurdo. Uma obra desse naipe ser publicada tão lentamente deve ter deixado os leitores da época loucos de ansiedade. Aliás, a ansiedade por ver mais do que está acontecendo me fez devorar esse livro em menos de uma semana. E eu queria mais. O único alerta que posso fazer é que este livro é o melhor da trilogia. Os outros dois, apesar de espetaculares também, não são tão bons quanto o primeiro.

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