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Em primeiro lugar, queria me desculpar com os visitantes do blog.Fiquei alguns dias sem postar porque estava cuidando da organização e limpeza de minha nova casa. Estou de mudança para um lugar mais espaçoso, além de estar me casando no próximo mês. Então tudo está muito bagunçado. Na metade do mês de janeiro estarei muito enrolado com a arrumação e os retoques finais da casa. Daqui a alguns dias estarei empacotando meus livros, então será um caos mas será por um bem maior. 

Em segundo lugar, estou fazendo a resenha de uma obra bem complicada para realizar tal feito: Wild Cards livro 1. Por ser uma obra escrita por vários autores, porém situada no mesmo universo, acabo precisando realizar dois tipos de análise, sendo uma global e outra do conto por si só. Já estou na sexta resenha de capítulo o que revela ser muito cansativo. O lado bom é que eu vou ter material de sobra para publicar ao longo do mês. 

Bem, decidi iniciar hoje a série de materiais que eu tenho sobre Herland, uma obra pouco conhecida aqui no Brasil escrita por Charlotte Perkins Gilman. Talvez essa série de tópicos acabem não sendo muito populares porque a obra da autora tem um direcionamento bem específico: o público feminista. Quando fiz o curso de Fantasia e Ficção Científica tivemos muitos trabalhos feitos sobre Uma Princesa de Marte, que era a outra opção durante esta lição. Eu fiquei com Herland porque achei a obra reveladora e fascinante em muitos aspectos. Não é uma leitura fácil porque a obra é muito descritiva. É um tour por uma utopia feminista em que não há muito espaço para ação. 

Charlotte Perkins Gilman era uma pessoa muito incomum: sua forte independência, sua habilidade de trabalhar arduamente, de alcançar objetivos que não diziam respeito apenas à sua sobrevivência, mas do mundo no qual ela vivia. Ela foi uma pioneira, disso não tenho dúvidas. Na época em que o movimento feminista engatinhava ela escreveu obras criticando o status quo. Herland foi uma dessas obras. Analisando retrospectivamente, ela foi uma autora de vanguarda. Escreveu uma ficção científica que, assim como H.G. Wells fez, criticava a sociedade e nos fazia pensar. 

Sua história mais famosa é The Yellow Wallpaper. É considerada uma das histórias mais importantes do feminismo americano. Trata de uma jovem esposa que é casada com um físico. O marido da protagonista é baseado em uma pessoa, um médico que tratou de sua esposa quando esta teve alguns problemas mentais. Na história, a mulher do físico é confinada ao terceiro andar da casa, em uma espécie de enfermaria. Gilman está alertando que quando a mulher permite ser protegida de maneira obsessiva, faz com que o trabalho e, principalmente, os processos de pensamento sejam impedidos. 

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Em The Yellow Wallpapaer, a jovem esposa, impedida de se expressar, eventualmente enxerga coisas se movendo pelo papel de parede no lugar onde ela se encontra. No final da história existe a sugestão de que, no limiar de sua loucura, ela teria se enforcado.

Herland seria uma espécie de utopia baseada na filosofia imaginada por Gilman. Em toda a história dos EUA, principalmente no século XIX, surgiram várias utopias baseadas em obras de autores como a própria Gilman e B.F. Skinner. Os EUA sempre foram um lugar onde a população não apenas pensava na utopia, mas eles tentaram pô-las em ação. Existem relatos de experiências desse tipo espalhadas por todo o século XX. Pessoas que viviam segundos os costumes de outra época, pré-requisitos para morar em uma comunidade, além de outras tantas coisas. Parece que o norte-americano não está satisfeito com o status quo e resolve tomar medidas por si mesmos. 

Certamente Gilman, quando imaginou sua utopia em Herland, percebeu que seria impossível colocá-la em prática. Ela tinha esperanças de que algumas de suas ideias transbordassem e pudessem mudar a cabeça de suas companheiras mulheres. Sua ideia principal era remover as expectativas trazidas pelos homens em relação às mulheres. Se foi ou não capaz de contribuir positivamente, existem poucos relatos a respeito. O que sabemos com certeza é que ela foi uma militante pelos direitos das mulheres até o fim de sua vida. É um excelente exemplo de alguém que, usando a literatura, tentou mudar a sociedade.

 

 

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