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Um tema que eu vivo abordando aqui no blog são os procedurais. Gostaria de gastar alguns minutos para explicar do que se trata e quais as atuais perspectivas do gênero.

Procedural é um nome genérico dado a um tipo de seriado televisivo que usa um mesmo formato de episódio. Geralmente existe toda uma metodologia por trás do seriado: uma equipe forense que investiga casos de polícia; uma perita em corpos que, através da investigação de cadáveres consegue solucionar crimes; uma equipe de bombeiros que precisa lutar contra as adversidades para salvar pessoas. Existem até estilos um pouco mais insólitos como: um consultor da polícia que, usando suas incríveis capacidades de observação consegue descobrir o criminoso; uma vidente que sonha com flashes de crimes cometidos; uma psiquiatra que descobriu conseguir falar com os mortos e se vê tendo que resolver crimes para que os espíritos a deixem em paz; um medium que ao tocar nas pessoas consegue descobrir o que essa pessoa fez; um detetive particular com TOC, mas é extremamente inteligente.

Ou seja, as variedades de procedurais são inúmeras. Geralmente, a metodologia envolve a apresentação do assassinato. O episódio gira em torno da investigação de um assassinato. Às vezes a equipe é levada a falsas pistas ou à interpretação errada dos dados. Pode haver um envolvimento maior de parte dos membros mais humanos da equipe. Podem haver discussões sobre que rumos a investigação deve seguir. Mais para o final do episódio, o protagonista normalmente tem um insight que ninguém foi capaz de ter e consegue desvendar o mistério. Este insight pode ser uma bagana de cigarro que  estava no ralo ou um fio de cabelo embaixo da cama que ninguém viu ou uma relação que ninguém foi capaz de fazer. Às vezes esse insight é algo tão inverossímil que o público acha o protagonista alguém com poderes especiais. 

Outra característica dos procedurais é uma ausência de desenvolvimento dos personagens. Muito pouca importância é dada ao histórico dos mesmos ou até em uma evolução dos personagens. É possível ver o penúltimo episódio sem necessidade de ver todos os anteriores. Isso torna a série fácil de ser acompanhada pelo público. Este não precisa ser fiel ao seriado, bastando vê-lo quando quiser. Essa é uma das grandes críticas feitas a esse modelo de seriado. Os personagens são superficiais e estáveis demais. Além disso, não existe um grande vilão ou um grande mal a ser combatido. O que existem são situações do dia-a-dia. Isso seria o tal grau de realismo por trás do seriado. Porém, com a quantidade absurda de procedurais no mercado, os produtores se viram na necessidade de criar um produto que seja muito inovador, algo que ainda não tenha sido pensado. Isso acaba agindo em detrimento do seriado, onde protagonistas com habilidades mirabolantes são colocados em cenários que buscam o realismo. 

Nos EUA, os seriados procedurais são muito famosos, sendo fórmulas seguras para garantir audiências e renovações. Quando os atores do seriado são carismáticos, o sucesso é garantido. CSI está a anos no mercado (14 temporadas para ser mais preciso) e agora é que a fórmula começou a estagnar. Dezenas de procedurais estreiam todos os anos no mercado americano, embora apenas poucos consigam se manter na telinha. The Following e The Blacklist são alguns seriados que utilizam as características dos procedurais, mas com algum tipo de twist.

Em The Following vemos um personagem que possui um envolvimento muito grande com o vilão da história, interpretado por James Purefoy. No seriado, o formato procedural está na caça a algum dos asseclas do grande vilão. A cada episódio, a equipe do FBI precisa investigar o criminoso, associando-o ao vilão. E o seu modus operandi se encontra nas histórias de Edgar Allan Poe. Todo o episódio é construído na perseguição a esses criminosos, mas com um grande arco de histórias por trás. Existe sempre algo mais; a motivação podia ser a busca pelo filho do par romântico do protagonista, ou a fuga do vilão ou a busca por pistas que revelassem o seu esconderijo.

Já em The Blacklist, temos um vilão que é um grande mercador de informação. Ele decide se entregar para o FBI e revela possuir uma lista com o nome dos principais membros do submundo do crime. A cada episódio ele precisam caçar um dos integrantes dessa lista detida pelo personagem de James Spader. Por trás desse típico procedural, existem vários plots secundários que vão se desenvolvendo no decorrer da série: por que o vilão está interessado na protagonista, quem é a grande organização que ameaça a vida do vilão e se o namorado da protagonista é ou não um homem perigoso. Esses plots secundários dão um sabor especial à série. Isso porque o público quer saber como os plots secundários estão caminhando. Dá vontade de seguir a série.

Outras séries possuem situações semelhantes. É um sinal de evolução a uma fórmula já estagnada. Com isso, um gênero que vinha perdendo público, encontra novo fôlego a partir de um esforço maior da parte dos produtores. Entretanto, ainda assim, muitos produtores insistem nos procedurais-padrão. Mas, as novidades sempre são bem-vindas. E com isso, nossas noites ficam melhor com séries cada vez mais envolventes e que nos prendem na telinha. 

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