Imagem

 

Como sempre, eu me atrasei ao realizar a postagem. Mas, okay, vamos que vamos. Esta seria a minha postagem original antes da minha longa parada. Tentarei fazer uma segunda postagem ainda hoje ou amanhã.

Comecei a ver The Following muito mais pelo hype do que por alguma empolgação com a trama. Imaginei: Ah, mais um maldito procedural com um protagonista com super-poderes. Investiguei um pouco mais sobre a série e descobri que o criador e produtor era Kevin Williamson, responsável por outro hype da Tv americana, Vampire Diaries. Confesso ter preconceito pela série, motivo pelo qual ainda não vi. Aos defensores de plantão, nada contra quem vê, só prefiro ficar no meu espaço e ponto. Darei uma oportunidade à série assim que possível.

E fui ver o primeiro episódio muito cético a respeito. Sou pego logo de cara por cenas arrebatadoras: uma mulher faz uma citação de Poe na entrada do FBI (que The Blacklist usa o mesmo expediente ao chocar o público com a rendição de Reddington… mesmo elemento de choque, motivos diferentes). Isso chamou a minha atenção. O fato do protagonista ser um personagem emocionalmente complexo também me surpreendeu. Eu não consigo chamar o protagonista de mocinho; totalmente anti-herói, boêmio, não deseja envolvimentos. 

E, passando para a minha análise em si. Gostei da forma como Edgar Allan Poe foi o tema dessa primeira temporada. A obsessão do vilão pelos escritos do grande autor de mistério se revela em cada ação executada durante o seu temível plano. Certas coisas são muito forçadas como o senso de onipotência e extrema precisão do vilão. Tem situações em que o homem parece que viu o futuro, tamanho o senso de posicionamento de suas peças em seu tabuleiro. Licença poética… okay. Dou um desconto. Fora que a interpretação de James Purefoy está soberba; eu realmente comprei a ideia de que ele é O vilão da história e é capaz de barbaridades. Também comprei o senso de medo em relação a ele. 

Kevin Bacon também não fica atrás nessa série. Está muito bem encaixado no personagem. Aliás, ele consegue ir muito bem com personagens deste tipo; é como o Robert Downey Jr e o Iron Man que foram feitos um para o outro. A esposa do vilão é que, às vezes, me parece um ser perdido na série. Ela não é uma boa atriz e não me passa aquela sensação de musa que o Purefoy dá a entender a ela. 

Os outros personagens são bem apresentados, lenta, mas seguramente por Kevin Williamson. Gostei da forma como ele dá importância aos coadjuvantes e alguns seguidores do vilão possuem histórias realmente interessantes. O meio da temporada foi meio arrastado, mas em nenhum momento a série ficou chata. Existem cenas memoráveis como a do Clube da Luta, a do mariner maluco e a fuga do FBI. 

A presença de citações a várias obras de Poe mostrou a pesquisa feita em relação a elas. Pude ver cenas que me lembraram o Gato Preto (a do incêncio), o Barril do Amontillado e ate a Chave Mestra. Poe é rico em maneiras de o utilizar: centenas de contos, histórias assustadoras e profundas e situações que lidam com a  natureza do homem. Só não creio que seja possível usar essa temática por mais de duas temporadas. Estamos falando aqui de uma série e os índices de audiência acabam fazendo com que histórias sejam arrastadas por temporadas sem fim. Basta vermos Dexter que até a quarta temporada era maravilhosa e depois foi muito mais desgosto do que alegrias. Poe é riquíssimo, mas não podemos ficar só em Poe. 

Tenho boas expectativas para a segunda temporada, mas gostaria muito que o autor saísse um pouco dessa prisão que se tornou os contos de Poe. Esticasse um pouco mais as pernas, ousasse mais, fizesse o vilão se tornar original. 

A ambientação está também muito boa. Toda a ação me lembra muito um bom filme noir, com a paleta de cores sempre no cinza ou em cenas mais depressivas. O humor geral da série é esse e mesmo as poucas tentativas de satirizar as situações não comprometem o clima geral. Gostei e recomendo; recomendo principalmente aos amantes de Poe. 

Anúncios