Antes de começar a postagem queria dizer que as minhas postagens serão mais esparsas daqui em diante. Digo isso porque meu semestre letivo começou essa semana e durante as aulas eu fico extremamente ocupado com tudo. Eu sou professor e como todo professor, faço muitas atividades de planejamento, estudo e correção de trabalhos em casa. Não deveria ser assim, mas infelizmente é a nossa realidade.

 

Na minha segunda postagem sobre Breaking Bad eu queria trabalhar a questão da violência na série. E nós a vemos a todo momento. Não digo necessariamente a violência física que se torna mais óbvia nas 3 últimas temporadas, mas a violência em todas as suas formas. Vince Gilligan, produtor da série, sabe trabalhar esse tema com maestria.

Durante a primeira temporada, Walter White sofre violências múltiplas. Como um homem que recebeu um Prêmio Nobel de Química (aparece na estante dele no primeiro episódio) pode trabalhar em uma college no sudoeste dos EUA? Como esta mesma pessoa precisa fazer um meio expediente em uma lavanderia para complementar sua renda? Este homem sofre violências na sua carreira profissional ao ser subestimado e colocado de lado. A empresa que ele havia criado com seus amigos se tornou uma corporação milionária. Empresa essa na qual ele não possui a menor participação.

Em casa, Walter tem uma mulher dominadora. Não cede espaço ao marido e o trata como se fosse uma criança que dependesse dela para tudo. Vemos brevemente como ocorre a intimidade do casal, ou melhor, não ocorre. Seu filho possui paralisia, então a vida acaba se tornando muito difícil. O protagonista se encontra em uma situação na qual ele não encontra solução. Para piorar, ele é diagnosticado com câncer. Doença essa que ele não provocou: um câncer de pulmão em alguém que não fuma, que não trabalhou com vapores industriais ou coisas do tipo.

A reação de Walter é violenta. O olhar, a postura, tudo muda no personagem. Isso é trabalhado nos mínimos detalhes. O jogo de câmeras mostra um homem derrotado pela vida que vê na violência a sua saída. E ao longo das temporadas isso vai crescendo exponencialmente. O homem que tinha medo de produzir metanfetamina não é o mesmo imperador das drogas na última temporada. Todo o temperamento dele se alterou com as experiências que ele teve no mundo das drogas.

Aliás, muitos defendem que Walter assumiu uma nova personalidade na figura do impiedoso Heisenberg. O que não deixa de ser verdadeiro. Mas acredito que esses sentimentos estavam enterrados no fundo de seu coração e ele sempre lutou para reprimi-los. Quando eles estouraram, as consequências foram avassaladoras para todos ao seu redor. Fica aí a frase clássica de Walter:

“Eu não estou em perigo, Skylar. Eu sou o perigo”

Jesse é um personagem que se auto-violentava para fugir da realidade. Como um viciado em drogas, sem muitas expectativas de ascensão, ele se refugia nas drogas. O personagem tem vários defeitos como covardia, falta de atitude e até uma ausência de amor por si próprio. A amizade dele com Walter, o relacionamento com Jane e depois com Andrea fazem com que ele amadureça rapidamente e crie responsabilidades.

Entretanto, o fato de Jane morrer de overdose e depois ele ser obrigado a matar uma pessoa fazem Jesse questionar suas motivações. Mesmo diante de tantas violências feitas a ele, Jesse mantém em seu íntimo a vontade de estabelecer uma família. Andrea e seu filho trazem a ele o senso de família que ele deseja reformar para substituir aquela que ele deixou para trás. Podemos ver em Jesse alguém que precisa de uma figura paternal e a encontra em Walter, apesar de suas diferenças. Uma das cenas mais fortes em Breaking Bad é quando Jesse e Walter se degladiam. Podemos perceber a angústia e a tristeza nos personagens.

Outro personagem que vale mencionar é Gustav Fring. Ficamos sabendo que ele é um imigrante ilegal do Chile que teve seu parceiro morto por Tio Salamanca. Toda a motivação do personagem está, claro, em lucrar com o negócio de venda de drogas, mas a vingança contra a família Salamanca faz parte do jogo. Vemos em Gus um homem solitário e melancólico, apesar de muito correto. A frieza e a determinação do personagem são marcantes. Tem uma cena onde ele passa andando no meio de uma troca de tiros entre os seus homens e enviados do cartel que é marcante.

No início da quarta temporada, a morte da pessoa que vigiava Walter é também marcante não apenas pela violência empreendida, mas pelo impacto da cena nas mentes e corações dos personagens envolvidos. A intimidação é frequentemente utilizada como uma forma de controlar e focalizar a violência. Não basta ser violento, é preciso direcionar essa violência para as pessoas certas.

É por essas e outras coisas que Breaking Bad é uma série marcante. Ainda faltam 8 episódios para a série acabar, mas existe muito o que ser dito sobre ela. Sempre que eu me recordar de um tema postarei-o aqui.

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