Se ontem eu terminei minha leitura de Blindsight, hoje consegui completar minha maratona de Breaking Bad. 3 semanas para ver as 5 temporadas. Quando começar a última metade da quinta temporada, acompanharei episódio a episódio.

Acompanhar esta série tem sido maravilhoso. Admito que não a conhecia e as pessoas foram me convencendo a dar uma oportunidade a ela. Como eu vejo muitas séries, acabava sempre deixando-a de lado em detrimento de outra série que eu já acompanhava. Me arrependo profundamente hoje… Não é à toa que Bryan Cranston é um dos melhores atores de série em atividade nos últimos tempos.

Tentarei não dar muitos spoilers, apesar de alguns serem inevitáveis. Recomendo àqueles que não os querem, deixar essa postagem de lado e curtir essa bela tarde de sábado.

 

Dito isso, primeiro preciso dizer que Breaking Bad é uma série excepcional para compreender algo chamdo evolução de personagens. Nunca antes uma série explorou tanto isso. Uma série na qual eu não me lembro sequer dos nomes dos personagens, é horrorosa. Uma na qual eu me lembro deles, é uma série boa. Uma na qual eu me importo com os personagens, é excelente.

Mas, Breaking Bad ultrapassa esses níveis. Não apenas eu me importo com eles, mas eu me sinto parte da família. As decisões do Walter me deixam preocupado, o amadurecimento de Jesse ao longo da série, as trambicagens do advogado Saul Goodman, a persistência de Hank. Tudo interfere para o bom andamento da série. Todos os personagens são importantes de alguma forma.

Hoje vou falar um pouco dos protagonistas: Walter White e Jesse Pinkman. Walter era um professor típico de college do sul dos EUA. Dando suas aulas normais, sendo mais um trabalhador honesto, até que um dia descobre estar com um câncer no pulmão em metástase. O médico lhe dá uma expectativa de vida de alguns meses. Walter se espanta porque nunca havia fumado um cigarro ou usado drogas e mesmo assim tinha esse dilema. O tratamento de câncer é caríssimo e Walter era um simples professor cheio de hipotecas por pagar.

Jesse Pinkman era um maluco, usuário de maconha, meth, cocaína e quaisquer outras drogas que você queira nomear. Foi aluno de Walter alguns anos antes, mas levou bomba porque nunca compreendeu química. Junto com seus inseparáveis amigos Skinny Pete, Combo e Badger levava sua vida louca até quase ser capturado pelo DEA (Departamento de Combate às Drogas). Curiosamente, a equipe que estava atrás do grupo do Pinkman era liderada por Hank, cunhado de Walter. É nessa batida policial que Walter se encontra com Pinkman.

Será esse encontro que unirá o destino dos dois personagens. Walter procura Pinkman para que eles possam produzir meth e assim ganhar dinheiro. Isso porque nosso químico queria pagar pelos seus tratamentos quimioterápicos e deixar uma boa herança para seus filhos e sua esposa. Outro ponto importante da história é como ela se volta para a família. Em momentos de crise, Walter sempre busca o apoio dela para resolver seus problemas. Skyler é a esposa dedicada, que muitos fãs odeiam. Walter Jr é o seu filho mais velho; ele adora o pai, mas tem um problema grave de paralisia que o faz ter dificuldades para andar. No início da série, Skyler está esperando uma filha o que complica ainda mais a situação financeira de Walter.

O início da produção de meth é muito louco. Walter e Pinkman compram um home-trailer usado onde fazem a produção da droga. Este trailer tem histórias lendárias como quando a bateria descarregou no meio de uma produção de meth. Eles tiveram que improvisar uma bateria feita a base de moedinhas. Walter de cueca e camisa de botão esperando uma batida policial é hilariante. Depois, Walter passa para a tutela de um chefão poderoso da distribuição local de drogas: Gustavo Fring. Tudo parecia correr bem já que Gus e Walter eram muito semelhantes: cautelosos, metódicos e perfeccionistas até o último fio de cabelo. A relação entre os dois era interessante e muitos imaginavam até uma amizade. Mas, por serem parecidos demais, essa amizade acabou descambando em um nível de violência bizarro. E não digo necessariamente um tiroteio, mas os momentos de tensão propriamente ditos.

Vale destacar o trabalho feito com as expressões feitas pelos personagens. Cada olhar, cada toque e cada efeito sonoro tem um impacto em como recebemos as histórias. Notem como o gosto musical de Walter mudou: na primeira temporada, ele ouvia músicas antigas típicas de um homem de família; na quinta ele compra um carro esporte e está ouvindo um rap pesado. Os olhares trocados por Gus e Walter durante um inocente jantar na casa de Gus são impagáveis. É aquele silêncio que fala volumes.

Na última temporada, a atual, Walter passa a ser dono do negócio por si só e ganha rios de dinheiro. Mas, por causa de toda confusão ocorrida até este momento na série, Walter e Pinkman estão separados. É aí que percebemos a ligação entre os personagens. Duas cenas emblemáticas dessa relação entre os dois são:

a) na quarta temporada, quando Jesse desconfia que Walter tinha envenenado o filho de Carmen, com quem Pinkman estava envolvido. Pinkman aponta uma arma na cabeça de Walter que jura nunca ter feito o que ele havia sido acusado. É neste momento que Walter revela a Pinkman que o via como um filho e pede que se fosse assim que ele deveria colocar uma bala em sua cabeça.

b) no episódio oito da quinta temporada, Walter vai à casa de Pinkman após uma ressonância de rotina. Ambos tem uma longa conversa em que se lembra de quando se conheceram. Pinkman estava tenso durante toda a visita. Walter, muito triste, diz a Pinkman que havia deixado algo para ele e dá um olhar melancólico, quase uma despedida para seu eterno parceiro. Quando Walter sai e Pinkman descobre o que Walter lhe deixou, Pinkman se debulha em lágrimas. Era a parte de Pinkman no negócio de meth que havia causado a separação entre eles poucos episódios antes. Ele estava assustado com as últimas ações de Walter e estava preparado para entrar em um confronto com o seu ex-professor.

Por enquanto é só… depois discutirei outros assuntos sobre a série que tem muita coisa interessante. Acredito que certamente vale a pena vocês assistirem simplesmente pela qualidade da mesma. Não se arrependam como eu, por nunca ter dado uma chance a ela.

Dica: tentem superar a primeira temporada. O piloto é maravilhoso, mas os próximos 4 episódios são muito lentos. O diretor da série gasta uma temporada para construir os personagens. Não acredito ter sido algo a ser jogado fora, mas um mal necessário. E valeu a pena porque esses episódios fazem com que nos importemos com os personagens.

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