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“No país dos cegos, o caolho é rei.” (Desiderius Erasmus)

É com essa frase que H. G. Wells começa a contar aquela que é considerada pelos adoradores de sua obra como aquela que possui maior brilho e profundidade. O País dos Cegos é um conto publicado em 1904 na revista The Strand Magazine. Posteriormente (em 1911), Wells incluiu o conto em uma coletânea chamada The Country of the Blind and Other Stories.

A história começa contando a história dos habitantes desta estranha vila. Eles eram nativos da América do Sul (se não me engano eram incas) que foram invadidos pelos conquistadores espanhóis. Estes se misturaram com os conquistadores tornando-se mestiços. Após muitos anos de exploração e tirania dos espanhóis, um grupo consegue fugir destes tiranos e se escondem em um vale entre duas montanhas. Mas, um terremoto faz com que o vale seja isolado do resto do mundo salvo por uma terrível queda do alto de uma das montanhas que circundam o vale.

Por conta de uma estranha doença, todas as crianças nascidas a partir daquela data eram cegos de nascença. Em um espaço de algumas gerações, não havia mais ninguém naquela comunidade com a capacidade de enxergar. Os habitantes desta comunidade reclusa tiveram que se acostumar e se adaptar com aquela nova realidade até o momento em que não sabiam mais o que era enxergar.

Nunez, o protagonista da história, é um aventureiro explorando as altas montanhas dos Andes. Acidentalmente ele acha o caminho até este vilarejo e é nesse momento em que há o choque de visões de mundo.

O que a história tenta nos passar é que não importa quanto poder nós tenhamos, a sociedade é muito mais do que apenas um indivíduo. Wells mostra que devemos sempre pôr os nossos talentos a favor da sociedade de forma a contribuirmos com o todo. O fato de Nunez querer dominá-los demonstra o egoísmo e a mesquinhez do homem.

O protagonista se vê envolvido com um grupo de pessoas que não vê mais a necessidade de usar os olhos. Enquanto Nunez passa boa parte do conto tentando convencer as pessoas das maravilhas da visão, os aldeões acham o esforço de Nunez engraçado e curioso. Ele é um personagem que se pensa superior aos habitantes da vila, pobres coitados desprovidos de visão. Acaba não sendo capaz de enxergar a engenhosidade e a habilidade daquelas pessoas que conseguem realizar suas atividades diárias de forma absolutamente normal.

O final da história é triste. Aliás, esta é uma característica da escrita de Wells. O autor é um eterno pessimista acerca do caráter do homem. Seus personagens são bem humanos, diferente do ideal romântico do cavaleiro perfeito ou do gentleman. O país dos cegos é habitado por pessoas que não enxergam. Ele é invadido por um europeu, Nunez, cujo coração é incapaz de enxergar.

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