sob a redoma

Bem, como puderam perceber decidi mudar o tema do blog. Simplesmente gostei da formatação deste estilo e achei o posicionamento dos menus e dos itens mais bacanas. Antes das críticas, queria dizer que meu conhecimento de editoração de blogs é nulo. Estou aprendendo ainda e assim que tiver tempo vou me dedicar a fazer do blog mais aprazível.

Segunda pontuação é que minha colega Sophie do blog The Reef (o link está aí ao lado, mais do que recomendado) me permitiu traduzir a postagem dela para apreciação dos meus queridos visitantes. Acho que amanhã consigo fazer a tradução.

Enfim, terminei Sob a Redoma na semana passada, então tenho muitas ideias frescas na cabeça. Isso apesar de a leitura ter sido truncada, atrapalhada por diversos inconvenientes pessoais e do próprio livro per se.

Stephen King gosta dessa temática dos extremos. Frequentemente vemos histórias com personagens presos em supermercados, dentro de uma casa abandonada, em um ambiente escolar, no interior de um carro. O autor gosta de ambientes claustrofóbicos. Nada contra, o mote das histórias é fenomenal. Começo minha análise dizendo o seguinte: quem pensa que a história de Sob a Redoma é sobre a redoma (quem criou, como foi feita, como destrui-la), está muito enganado. Se você leu e tirou essa conclusão, sugiro que leia novamente.

A história é sobre pessoas, sobre até onde o homem consegue chegar em uma situação extrema. É sobre o instinto de sobrevivência e de dominação. Isso tanto pode ser visto que a resolução do problema da redoma ocorre apenas na parte final do livro que constitui 200 páginas de mais de 900. Colocar o tema ficcional de lado foi genial. King deu total atenção à construção e desenvolvimento dos personagens. Nós nos apegamos a eles: Dale Barbara, Jim Rennie, Junior Rennier, Julia Shumway, Brenda Perkins… Até Sam, o bêbado é importante de alguma forma. Os personagens são distintos e com personalidades próprias. Não conseguimos encontrar personagens iguais; King tomou esse cuidado.

Sob a Redoma ocorre em uma pequena cidade no interior dos EUA chamada Chester’s Mill. A cidade é tipicamente do interior, com habitantes de personalidades tipicamente sulistas. Muitos religiosos e pessoas com seus preconceitos e manias. Em uma determinada tarde, uma imensa redoma encobre a cidade separando-a do mundo exterior. Sem grandes explicações e com cenas fortíssimas como a do avião que bate em uma parede invisível ou a fantástica descrição de uma marmota sendo partida ao meio (curiosamente o primeiro capítulo de Sob a Redoma é O Avião e a Marmota).

A partir daí inúmeros acontecimentos se desdobram em um curto espaço de tempo. Políticos corruptos, pastores com ilusões de grandeza e tendências a auto-flagelação, uma repórter obstinada, um psicopata e o maior laboratório de metanfetamina do sudoeste dos EUA. Tudo isso torna a cidade um verdadeiro barril de pólvora que explode com a queda da Redoma.

Já apontei que um dos pontos fortes de Sob a Redoma é a construção dos personagens. Outro ponto a favor é a ambientação. King compreende o funcionamento da lógica de uma cidade pequena. Isso é perceptível na forma como os personagens reagem, se comportam e falam. Os temas também são muito bons: a xenofobia, a intolerância religiosa, as políticas coronelista e nepóticas. Trata-se de um ambiente rico em histórias e conflitos.

Um dos pontos negativos é o excesso de descrições que King faz. Ele descreve cada cena de forma tão minuciosa que o leitor não tem espaço para imaginar mentalmente o que está acontecendo. Não digo que é uma coisa ruim, mas eu consider chato. Eu gosto de imaginar as cenas de um livro na minha cabeça e até mesmo dar feições aos personagens. É a minha maneira de emergir na história, de ser mais um dos habitantes da cidade ou de uma tripulação. É a minha brincadeira de faz-de-conta. Mas, quando o autor descreve desde a casa mais distante da cidade até a marca da caneta esferográfica usada pelo ajudante do xerife, isso acaba estragando uma parte da diversão. Parece até que King imaginava que Sob a Redoma poderia se tornar um seriado ou um filme.

Outro ponto negativo é que a história demora até engrenar em definitivo. Stephen King costuma começar suas histórias com um grande acontecimento, um boom que faz a história se mover. O problema é que depois disso há uma acomodação para percebermos a movimentação dos principais grupos de personagens ativos no enredo. E isso demanda tempo no enredo. Em um livro de 954 páginas (edição da Suma de Letras), gastar mais de 200 páginas com esse processo de acomodação torna a leitura entediante. A gente acaba demorando mais na leitura porque avançar se torna tortuoso. Isso para mim constituiu 4 meses de parada para que eu refrescasse e depois retornasse. A passagem do segundo terço do livro para o final é fantástico; passa em um piscar de olhos.

Na minha opinião em uma escala de 0 a 10, eu daria 8 para o livro. Ele é muito bom, mas sofre de problemas de timing e da característica (que me desagrada) altamente descritiva fazem a minha avaliação final cair um pouco. Mas, se você conseguir ultrapassar essa parte complicada, você estará lendo uma história muito interessante. É Stephen King no fino de sua escrita.

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