A postagem de hoje é originária do blog The Reef da minha querida colega de clube do livro, Sophie. Fiz a tradução da sua postagem que pode ser encontrada através do link:

http://mechanteanemone.wordpress.com/2013/07/27/essay-the-american-gods-trinity/#more-2485

Queria agradecer a gentileza de Sophie de me permitir traduzir o seu artigo e postá-lo em meu blog. Saiba que se precisar me disponho também a traduzir para o inglês caso alguma de minhas loucas postagens lhe interessar. Segue abaixo a tradução que fiz, de forma livre, de seu artigo:

 

 

Hora para o ensaio sobre a leitura do meu clube do livro, a obra Deuses Americanos de Neil Gaiman (contém spoilers).

Gastei muito tempo buscando conexões entre símbolos, figuras mitológicas e temas; fiquei pasma com as escolhas deliberadas nas quais os deuses são representados e outras onde não são. Quando pensamos a respeito de diferentes panteões, podemos pensar em diversos tipos de símbolos sendo representados, e nem todos os símbolos aparecem em todos os panteões. Gaiman fez a escolha de usar tipos muito específicos de deuses que se conectavam graças a símbolos muito específicos; aqui está o meu ensaio sobre o tema.

Este é apenas o meu segundo ensaio sobre um livro onde o suporte visual é realmente parte da argumentação crítica; o anterior foi Alice no País das Maravilhas.

 

Três grupos de divindades tradicionais ou complexos de divindade aparecem proeminentemente em Deuses Americanos de Neil Gaiman: deuses da luz e (re)nascimento, deuses ctônicos da morte e da destruição, e deuses do conhecimento e da enganação. Não são facções, todos os deuses de um complexo não estão operando juntos; mas eles representam o domínio de um grupo de símbolos, que formam o núcleo do enredo – o mito solar. Um pequeno mapa abaixo mostra algumas das associações que podemos fazer.

Os deuses brancos ou complexo Solar incluem deuses solares e lunares, associados com luz, fogo, primavera, fertilidade e renascimento. Embora eles representem novos começos, a emergência do sol aqui representa o fim da história. O complexo Solar inclui Mad Sweeney/Suibhne, Bast, Horus, Easter/Eöstre, Bielebog, Balder, os domínios do fogo, luz e ouro, e totens como coelhos, ovos, águias, gatos, leões e pássaros trovejantes (thunderbirds).

Os deuses das Trevas ou complexo da Morte é o menos numero, possivelmente porque é mais difícil de ser apresentado como amistoso, desejável ou como apoiador; ou porque eles são associados com finais e a stasis, tornando-os mais um obstáculo do que um elemento dinâmico para o enredo. De toda forma, eles não são o inimigo. O complexo da Morte inclui Mr. Jacquel/Anubis, Mama-ji/Kali, Czernebog e, discutivelmente, Hinzelmann; seus símbolos são o frio, o inverno, o ferro, a terra e totens como chacais e corvos.

Os deuses Cinzas ou complexo dos Enganadores direcionam as histórias e fornecem as informações gradualmente; eles incluem Wednesday/Odin, Mr. Ibis/Thoth, Whiskey Jack/Wisakedjak/Inktomi, Mr. Nancy/Anansi, Elegba/Papa Legba, Low-Key Lyesmith/Loki e o Deus Esquecido. Eles são deuses do comércio, da informação, da troca, da enganação e da transformação, representados pela cor cinza, pelo outono e pelo mercúrio; seus totens são o corvo, o lobo, a raposa e a aranha.

A ideia principal dos três complexos, da luz para as trevas e das trevas para a luz, é também representada no livro por várias divindades triplas, muitas delas femininas: as Norns, as Fiandeiras (Fates), a Morrigan, Ganesha e as Zoryas. Estas divindades triplas parecem simbolizar uma unicidade fundamental, a reconciliação dos três aspectos em um único ciclo contínuo.

Os deuses modernos (Media, o Garoto Tecnológico, etc) não são associados com estes domínios, eles não são originários da natureza; quando muito, eles tem mais em comum com divindades marcadamente ausentes do livro, como Hephaistos/Vulcan ou Athena/Minerva. Esta falta de origem em forças naturais pode ser a causa para a natureza transitória de seu poder.

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