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Eu queria fazer mais uma ligeira parada antes de continuar postando o conteúdo do curso. Faço parte de um clube de leitura proveniente deste curso e estamos fechando nossa leitura do mês de julho. O livro escolhido foi American Gods cujo autor é Neil Gaiman. Em uma próxima oportunidade farei uma pequena análise da obra, procurando ao máximo evitar spoilers.

Mas, bem, o tema de hoje é o principal tema deste livro, na minha modesta opinião. O protagonista da obra está fazendo uma jornada por várias cidades do interior dos EUA. E no meio desta jornada, ele realiza uma série de reflexões sobre a vida, a alma, a existência ou não de Deus e até o caráter do homem. Este tipo de jornada é muito comum entre os norte-americanos. Chama-se road trip, que em uma tradução muito rudimentar significa viagem pela estrada.

O road trip pode ser feito sozinho ou como uma viagem em família. É mais comum vermos uma pessoa fazendo esse tipo de jornada individualmente. Ela pode ser feita pegando carona (eles chamam de hitch-hiking), de carro ou até a pé simplesmente. O hitch-hike é algo meio randômico onde a pessoa que está viajando vai aonde o vento leva, sem nenhum direcionamento ou planejamento. A viagem de carro geralmente é mais planejada: uma visita aos pais que moram longe, uma ida ao oeste dos EUA ou até uma visita ao monte Rushmore.

Quando feito em família tem a conotação de férias. Geralmente ela é feita quando o pai e a mãe trabalham muito tempo fora de casa. A road trip significaria um tempo a mais com a família em um ambiente que não é a casa e que permita mais liberdade. Até pode ser entendida como um corte contra o excesso que é a vida digital, a televisão, as redes sociais. Já mencionei em uma oportunidade que viajar implica uma quebra de paradigmas. Retirar o conforto para uma situação mais relaxante e que objetiva a apuração do olhar.

Enfim, a road trip é uma viagem em busca de algo: iluminação, reflexão, tranquilidade. É a busca de si próprio para uma melhoria do cotidiano ou até para uma adaptação a uma situação de crise e quem sabe uma solução para esta. Existem muitos autores que vêem nas road trips verdadeiras caminhadas espirituais quando o homem está mais propenso àquilo que transcende o seu conjunto de conhecimentos e valores.

Considero a road trip uma prática muito interessante. Apesar de fazer parte da cultura do norte-americano, trata-se de um momento para si, para encontrar a sua própria essência. E nos encontramos em um mundo tão exigente, tão caótico, capaz de tornar nossa existência em algo que nem sempre é suportável ou aceitável, tornando este tipo de jornada uma opção plausível e interessante.

No cinema e nos seriados, as road trips aparecem com frequência. Geralmente associada a uma busca de si, mostra-se como um momento em que o personagem cresce e descobre novas facetas sobre si, sobre o mundo e sobre as pessoas que lhe são realmente importantes. Um bom filme para vermos isso é Diários de Motocicleta. Mesmo sendo uma biografia de Che Guevara, o que ele faz é uma viagem para conhecer a si mesmo.

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