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Hoje eu queria fazer algo diferente. Eu ainda estou devendo milhas e milhas de informação sobre o meu curso de fantasia e ficção científica (acho que devem faltar umas 8 ou 9 lições ainda). Mas, depois que eu terminei o curso, um grupo de colegas montou um clube do livro usando o tema do curso e desde então temos feito uma leitura de livro por mês (mais light do que 1 livro por semana rsrsrs).

Porém, o tema de hoje não tem a  ver com o clube do livro. Ora, mas por que diabos você citou isso, sr. Paulo Vinicius? Simples, o clube do livro me incentivou a fazer leituras out-of-the-box, sair dos leitores clássicos e partir para novas leituras. E com a aquisição do meu Kobo (e-reader), um novo mundo se abriu diante dos meus olhos. E o primeiro livro digital que eu tive o prazer de ler é Ex-Heroes de um autor chamado Peter Clines.

Clines é um jornalista que, antes de escrever alguns livros, era responsável por entrevistar produtores e diretores de cinema. Seus maiores sucessos são Junkie Quattrain e a trilogia (o terceiro livro saiu a pouco tempo) Ex-Heroes. 

Sinopse: Ex-Heroes trata de um mundo que foi devastado por um apocalipse zumbi ocorrido a partir de uma doença criada em laboratório. Oh, mais um apocalipse zumbi… Uhuuuuu… O que isso tem de novo? Simples, neste mundo existem vários super-heróis que buscaram salvar parte da população que resta. Dentre esses super-heróis estão Saint George (possui os poderes de um dragão), Stealth (uma mulher misteriosa que é a líder do grupo), Gorgon (cujo poderes vem de seu olhar que rouba a vitalidade das pessoas), Cerberus (um imenso mecha pilotado por uma fuzileira) e Zzap (que possui poderes energéticos). A ação se passa em Hollywood onde estes heróis acharam espaço para que um grande número de pessoas pudesse se refugiar. Mas, este não é um mar de rosas: zumbis enchem as portas tentando devorar a carne das pessoas e uma gangue de baderneiros tenta acabar com a raça destes super-heróis criando um domínio sobre o lugar. 

Já vou avisando aos leitores de plantão que a história me agradou apenas um pouco. Foi divertido curtir as possibilidades do e-reader e a plataforma realmente é boa. Portabilidade total. A história em si é devagar. Demora até ela realmente engrenar, fazendo você se importar com os personagens só no final. Pelo que eu pude perceber, Ex-Heroes age como uma introdução a uma história maior. Clines gasta muito tempo mostrando as origens dos heróis. E acreditem… ele faz isto com todos eles, inclusive o grande vilão da história. Alguns personagens como Stealth e Saint George são interessantes, mas outros tem uma origem muito clichê. O combatente do crime, a menina prodígio que quer fazer justiça, o cientista que faz bobagem, o experimento militar… já vimos tudo. O que realmente muda é como estes heróis se interconectam e como alguns plots de origem (ok… apenas 1…) servem de combustível para o plot principal avançar. 

O segundo problema do enredo é a sensação de perigo ou de iminência. Em uma história de apocalipse zumbi precisamos sentir medo… Em The Walking Dead (impossível não comparar), todos os personagens estão ameaçados. Você dorme não sabendo se vai acordar no dia seguinte. A tensão é enorme e o instinto de sobrevivência pode ser sentido na ação de cada personagem. Quando não existe iminência, ter zumbis é estúpido. Se é só  para afundar cabeças de zumbi, para que colocá-los? Não podiam ser monstros, vampiros ou até coelhinhos da Páscoa canibais? E essa sensação de tensão é sentida poucas vezes na história. Os heróis são poderosos e conseguem escapar dos zumbis simplesmente afundando o crânio dos mesmos. Conto nos dedos de uma mão quantos personagens importantes foram mortos… nos dedos de duas mãos quantos cidadãos foram mortos. No final, eu finalmente consegui sentir alguma tensão e preocupação pelos personagens. 

Mas, o tema principal da história é o que constitui um herói. Ele é alguém que está lá para impor a justiça? Salvar gatinhos de árvores? Impedir assaltos a banco? E quando não existe mais justiça, os princípios ainda valem? Na história, as pessoas foram vítimas de uma doença que os tornou zumbis. Teoricamente, eles não morreram, mas foram infectados por um vírus poderoso. Saint George é um homem virtuoso que se recusa a matar estas pessoas porque as considera inocentes. Mas será que é possível manter esta convicção quanto tudo o que restou da humanidade são poucas pessoas escondidas em reservas. Achei muito interessante o conflito de opiniões: Saint George mantendo sua virtude e Stealth mantendo uma postura cética e pragmática. Um querendo salvar enquanto a outra pretende sobreviver. 

O estilo de escrita é bom, tornando  a leitura bem fácil. O autor usa o mote dos múltiplos pontos de vista que se tornou muito comum atualmente. Entretanto, essa mudança de ponto de vista faz com que gostemos de algumas partes enquanto outras acabam sendo chatas e desinteressantes. Alguns sub-plots aparecem no decorrer da história, mas são poucos e acabam não contribuindo tanto para o enredo principal.

Ex-Heroes é uma boa leitura de relaxamento. Não deve ser levada tão a sério porque o propósito não é esse. O livro sofre do mal do primeiro livro de uma trilogia: é apenas introdutório e acaba arremessando muitas informações que podiam ter sido dadas homeopaticamente. De qualquer forma, para os fãs do gênero, vale a pena. 

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