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Em primeiro lugar, queria novamente pedir desculpas às poucas pessoas que acompanham as postagens deste humilde blog. Minha vida pessoal se tornou uma zona, no sentido mais prostituível do termo, e não tenho conseguido atualizar o blog. Mas, nos próximos dias pretendo atualizar sempre que possível.

E aí, vem ao segundo ponto… Hoje eu estou de férias até pelo menos o dia 30 deste mês. Portanto, as atualizações serão quase diárias (exceto talvez quando eu estiver na minha futura casa em Itaguaí). Depois a zona volta outra vez. Não sei como eu manterei as atualizações do blog. Pergunta difícil a qual não sei responder. Veremos como eu conseguirei equacionar as coisas. Por ora, carpe diem. 

Hoje irei mais uma vez comentar sobre a obra de Mary Shelley, Frankenstein. O que eu queria abordar hoje é a nossa relação com o protagonista da história. É interessante isso porque Victor Frankenstein consegue despertar os mais diversos sentimentos nos leitores. 

Na história, Victor aparece como um personagem que é perseguido por uma criatura a qual ele foi responsável pela criação. Frankenstein é um livro que fala da relação entre Criador e Criatura. Mas, quando nos debruçamos sobre a história e fazemos uma análise psicológica dos personagens, percebemos que Victor é um ser mesquinho, egoísta e manipulador. Ele deseja, antes de tudo, ter um poder divino: o de dar vida aos mortos. Em sua presunção, o cientista não percebe o tipo de Criatura que ele concebeu. Vendo o seu pecado, ele toma uma atitude covarde, abandonando uma Criatura que mal sabia onde se encontrava. 

Victor também não se responsabiliza por educar a Criatura. Se deixa levar pelo horror, pelo desprezo ao ser. Em nenhum momento do livro, Victor sequer imaginou que sua Criatura poderia ser capaz de realizar algum ato de bondade. Por ser feia e repugnante, a Criatura era obviamente maligna. Não havia dúvidas de que este ser era capaz das maiores atrocidades.

Nos capítulos que seguem, vemos que Victor não mede esforços para alcançar seus objetivos. Quando é necessário, ele mente e ludibria. Quando não vê mais saída, Victor faz de tudo para justificar seus atos, mesmo quando eles são injustificáveis. No fim da obra, tudo o que a Criatura queria era que Victor a reconhecesse como um ser digno ou até de criar uma outra Criatura com a qual ele pudesse conviver. Não passava pela Criatura criar um reino de terror, mas sim ser deixada em paz. 

Victor é o que chamamos de narrador não-confiável. Seus relatos são deturpados e, em comparação com a parte que coube à Criatura, mentirosos. Quando lemos um de seus relatos precisamos estar atentos aos pequenos detalhes, pois eles podem nos enganar. Isso faz com que desconfiemos deste relato. É algo que podemos levar para o nosso cotidiano: analisar todas as coisas a partir de pontos de vista diferentes. Nem sempre uma história tem apenas um lado, mas múltiplas facetas que montam uma realidade.

 

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