Mary Shelley nasceu em Londres em 1797. Foi casada com o poeta Percy Shelley e ficou conhecida por ter escrito a obra Frankenstein, ou o Prometeu Moderno em 1818. Entretanto, escreveu alguns outros romances baseados em sua própria biografia como Mathilda e outras obras de ficção como O Último Homem e Valperga. 

Mas, de fato, Frankenstein é sua obra-prima. É a história de um homem, Victor Frankenstein, que, ao mexer com tecidos mortos, descobre a fórmula da criação de um ser consciente a partir dessa matéria-prima. Mas, horrorizado com sua criação, Victor abandona a Criatura e repudia sua criação. Desde então, a Criatura passa a odiar o seu Criador por lhe dar um destino tão miserável. Ele passa a aterrorizar todos os entes queridos de Victor em busca de uma retribuição.

Em primeiro  lugar, é bom que se ressalte que o nome da Criatura não é Frankenstein. Isso é uma liberdade tomada por diretores de cinema e outros que adaptaram a obra de Mary Shelley.  A Criatura nunca recebe um nome. Diga-se de passagem, isso é mais um elemento para  contribuir com o desprezo que Victor sente pela Criatura: nunca ter lhe dado um nome. 

Em segundo lugar, diferentemente do que vemos em todas as adaptações  da obra, a Criatura não é um  monstro estúpido e burro; muito pelo contrário, é extremamente inteligente  e discute com seu Criador vários temas filosóficos como a natureza do homem, o que é o bem e o mal e até mesmo o sentido da vida. A Criatura tenta o tempo todo no livro encontrar o seu lugar no mundo, mesmo sabendo que é um ser criado a partir da ciência e não de uma vontade divina.

Podemos dizer que Mary Shelley é uma autora de ficção científica. Muitos estudiosos do assunto a têm como a inventora da ficção científica, apesar do termo só ter surgido no século XX com Hugo Gernsback. E precisamos compreender que ficção científica é um gênero que se utilizada ciência para especular ou avançar sobre o assunto (discutiremos o real significado desse gênero mais adiante). 

Shelley escreveu a obra durante um  retiro nas montanhas com seu marido e outros grandes literatasda época como Lorde Byron e Poliidori. Eles fizeram uma aposta de quem conseguiria escrever o melhor romance de suspense durante aquele retiro. Mary Shelley diz ter se inspirado em um artigo que ela havia lido sobre galvanização, uma pesquisa científica que estava muito na moda na época por homens como Thomas Eddison e Nikola Tesla. O resultado foi uma obra que partir de uma pesquisa científica real e a extrapolou, criando uma obra que mostrava os perigos da  ciência.

Portanto, usando um pano de fundo  científico, Mary Shelley criou uma obra que se preocupava com o que o homem podia se tornar ao mexer com habilidades divinas, como o poder sobre a vida e a morte. Sem dúvida alguma, Mary Shelley foi a inspiradora de outros autores de ficção científica do seu século como Jules Verne e H. G. Wells. E, usando um personagem, que, mesmo sendo escrito no século passado, continua tendo um forte apelo nos dias de hoje.

Anúncios