Drácula é ainda hoje um ícone pop. Ao longo dos tempos, ele foi visto de várias maneiras dependendo do contexto da época. Ele já foi visto como um ser místico, um monstro e um sedutor. Acima, podemos ver uma imagem do filme do Drácula de 1931 com o lendário Bela Lugosi. Completamente diferente da imagem dos vampiros sensuais da saga Crepúsculo de Stephanie Meyer.

Mas, começando pelo princípio. Drácula é um personagem retirado de alguns mitos romenos sobre um antigo governante medieval que se dizia um praticante da arte de impalar os seus inimigos. Seu nome era Vlad, o Impalador. Tudo o que surgiu sobre ele depois é fruto de muitas lendas e superstições a seu respeito. Pouco sabemos de concreto sobre o personagem real.

Bram Stoker pegou todas essas lendas e criou um personagem misterioso, temível, mas ao mesmo tempo cativante. Em sua obra podemos perceber todo um apelo sexual, embora muito sutilmente. Drácula enfeitiça suas vítimas com a sua presença e seus olhos vermelhos (a cor da paixão e do sexo); as pessoas que foram mordidas por ele tem sua pureza completamente destruída e passam a ser tomadas por instintos sexuais muito fortes. A própria Mina é repudiada por Jonathan Harkness por ter tido sua pureza tomada por esse ser das trevas. Ele precisava matá-lo para recuperar um pouco da honra e da alma de sua esposa. Mas, o Drácula de Bram Stoker possui algumas características bem diferentes das dos vampiros contemporâneos: podia andar de dia, embora sem seus poderes; precisava carregar um pouco da terra de seu lar para poder recuperar suas forças e não podia atravessar a água corrente. 

As características contemporâneas surgem no filme estrelado por Bela Lugosi. Ele consegue retratar fielmente todo o ar de mistério do personagem. Ainda considero, na minha opinião, a melhor versão do personagem. Mas, Tod Browning, diretor do filme, não foi muito fiel ao livro. Fez algumas adaptações para que este se encaixasse dentro de uma visão cinematográfica. Se formos levar em consideração a fidelidade à obra de Bram Stoker, o filme de Francis Ford Coppola é melhor neste aspecto. Interpretado pelo fenomenal Gary Oldman que encarna o famoso conde, manteve um pouco desse ar embora não passasse tanto o que Bela Lugosi conseguia ao encarnar o personagem. 

A partir da  metade dos anos 90 começa a entrar em cena, um novo tipo de Drácula, mais sedutor e tendendo mais para a exploração do lado menos humano do homem. O vampiro passava a ser enxergado mais como a degradação e a depravação; era o despertar dos instintos mais primitivos do homem. O vampiro mostrava a sua luxúria e a sua vontade de canibalizar a suposta pureza do seu semelhante. Essa visão se torna famosa a partir do filme Entrevista com o Vampiro, inspirada na obra da autora Anne Rice. O vampiro Lestat interpretado por Tom Cruise era um ser depravado e cativante ao mesmo tempo. Ele atraía as mulheres com sua pose de bad boy. Era um momento da década de 90 em que os vilões se tornavam mais atraentes do que os mocinhos, interpretados de uma maneira muito caricata. 

E essa imagem perdura até os dias de hoje. Apesar de que, através da obra Crepúsculo, os vampiros se tornaram mais voltados para aspectos góticos, que retratam sentimentos de desespero, tristeza e falta de esperança do homem. O vampiro seria um  lado negativo, uma pessoa que não se enquadraria na sociedade. O vampiro, hoje um ser anti-social, lutaria para desmontar e destruir essa sociedade que não o aceita, canibalizando o seu semelhante e tornando-o igual a ele. 

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