Em primeiro lugar, perdoem-me o sumiço. Realmente a minha vida profissional anda uma bagunça e não tenho tido tempo de escrever no blog. Mas cá estou eu de volta e pronta para escrever mais um pouco sobre literatura.

Continuando na minha série sobre o meu curso de ficção, a terceira obra lida foi Dracula de Bram Stoker. Um clássico da literatura. Val ressaltar que boa parte da nossa literatura contemporânea tem seu estilo claramente influenciado por essas obras do século XIX. Coloquemos aí Mary Shelley, H. G. Wells, Lord Byron, Jules Verne e Charles Dickens. Então não é estranho vermos influências destes autores presentes ainda hoje.

No caso de Bram Stoker é a escrita epistolar. Dracula é uma obra formada por trechos de diários dos diversos personagens do livro. Isso daria um tipo de narração condizente com os pontos de vistas distintos dos personagens da trama. Onde vemos isso? George R. R. Martin é o primeiro que me vem à cabeça, mas existem vários outros. Crônicas de Gelo e Fogo apresenta cada capítulo visto pelo ponto de vista de um personagem diferente. Isso é puro Bram Stoker.

Outro destaque de Dracula é a preocupação com o cenário e com o clima. A ambientação é um ponto importante em uma obra de suspense ou terror. Sem isso, não é possível construir a tensão. Se eu não sou capaz de ficar tenso, não posso sentir medo ou terror. Essa imersão na história é o que faz de uma obra um clássico.

Dracula é uma obra difícil de ser lida nos dias de hoje. Não tira os méritos do autor e nem o desmerece. Mas, para apreciar de uma forma integral é preciso compreender que a linguagem utilizada é antiga. Além disso, Bram Stoker antes de ser escritor, era um diretor de teatro. Então a linguagem dos personagens e até a demonstração de emoção da parte deles é exagerada e às vezes até um pouco caricata. Isso porque observamos uma linguagem teatral; a obra pode ser dividida até em três atos como as peças teatrais da época. 

Mesmo com esse tom antigo, Dracula é uma obra atemporal. Ela consegue falar a várias gerações. Prova disso é que o mito do vampiro sedutor continua presente nos dias de hoje. Mas, esse é um tema para uma próxima conversa. 

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