Imagem

 

Antes de retornar para as análises de obras literárias eu queria dedicar algumas linhas a uma questão muito preocupante: a falta de leitura das novas gerações. 

Digo isso porque, como professor, observo cada vez menos interesse da parte dos alunos pela leitura. Não digo a leitura obrigatória da escola, os clássicos de Machado de Assis, a prosa melancólica de Aluísio de Azevedo ou a erudição de João Cabral de Mello Neto. Digo uma agradável história de Monteiro Lobato ou quem sabe um conto de Clarice Lispector. Mas, nada disso comove nossos alunos.

Eles vivem em uma sociedade muito imediatista e pouco reflexiva. Não paramos cinco minutos para questionar quem somos, o que somos e por que somos. Vivemos em uma sociedade onde o nosso modus vivendi é ditado pelos programas de TV, pelos reality shows e pelas novelas ditas da vida real. Para que refletir sobre nós mesmos, se a mídia nos diz o que somos? Para que questionar aquilo que é, por que o editorial do jornal do horário nobre diz que é? Isso parece vindo do velho programa da Família Dinossauro onde o chefe da família (Dino da Silva Sauro) trabalhava na empresa “Isso é Assim”. Era um derrubador de árvores tolo, não-questionador e conservador. É o reflexo das nossas novas gerações.

Por mais que tentemos fazê-los pensar, parece um trabalho de formiga. Isso porque comovemos em um universo de 50 alunos, 1 ou 2, quando convencemos. Batalhamos um inimigo monstruoso, cujo alcance é maior do que nossa esperança de vitória. As novas gerações caminham por uma rodovia que os levará à perdição, à monotonia, à mesmice. E a leitura tornou-se apanágio de poucos; aqueles que o fazem são gênios quando deveria ser comum a todos. Afinal a leitura não é um ato democrático?

Me parece que não…

Anúncios