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Lewis Carroll é um dos pais e principais divulgadores de um gênero literário chamado de nonsense, que, em inglês, significa sem sentido, sem nexo. As suas duas principais obras Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho se enquadram completamente nesse gênero literário.

O nonsense se assemelha a um conto de fadas tradicional só que de maneira invertida. Todas as regras do mundo nem sempre são compreensíveis, ou seja, a física que move o mundo não é a nossa física. Ela é aquilo que o autor quer que ela seja. Por exemplo, em um mundo nonsense elefantes podem voar de cabeça enquanto espirram água em direção ao céu para formar um arco-íris composto de de 4 cores. 

A explicação para essa física alucinada também não é dada. Pode ser magia, pode ser tecnologia, pode ser uma dança, uma cantoria. Ou uma combinação de todos ou de alguns ao mesmo tempo. Não precisa fazer sentido, precisa dar sabor à história. O autor não fica preso a explicações, podendo se dedicar apenas à história.

É necessária a presença de pelo menos uma figura humana ou semelhante a um ser humano. Isso porque é esse homem (mulher) ou criatura quem vai dar o chão da história, permitindo ao leitor ter olhos como os dele de forma a tentar compreender um mínimo do que ocorre naquele mundo estranho. Porém, esta figura não precisa apresentar necessariamente um desenvolvimento. Basta que este personagem seja capaz de, com o tempo, aprender o funcionamento moderado deste mundo para poder tentar reagir de acordo. Alice nas duas histórias não cresce como um personagem; ela não aprende nada após o término da história. Todas as experiências tem um valor meramente de entretenimento para o leitor.

O andamento da história também é irrelevante. Em Alice no País das Maravilhas ela entra na toca do coelho e depois tem toda a confusão no jardim da Rainha de Copas. Alice estava se movendo pelo País das Maravilhas sem um objetivo em mente. O personagem de Alice era altamente reativo e não pró-ativo. Já em Através do Espelho temos algum indício de um possível objetivo da parte de Alice querer se tornar uma rainha assim como a peça de xadrez.

Concluindo: a literatura nonsense é muito saborosa porque entretém. No entanto, é preciso um pouco de paciência e espírito livre para melhor aproveitar esse tipo de história. É comum nas obras nonsense, o personagem simplesmente acordar de um sonho ao final da história, transformando tudo o que passou em apenas algo transitório. Além disso, os autores desse gênero literário gostam de fazer trocadilhos ou pequenas piadas, compreensíveis se você prestar atenção na história, na disposição das letras ou em alguma referência feita pelos personagens.

Por hoje é só. Próxima parada: Dracula de Bram Stoker.

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