Olá, meu povo. Desculpem pelo sumiço, infelizmente minhas obrigações estão exigindo o máximo do meu ser ultimamente. Ainda estou sendo acomodado dentro do meu novo horário de trabalho e estou lutando para que a minha turma seja formada até o final do mês. Então estou me desdobrando entre convencer os meus alunos da viabilidade do programa ao qual me filiei, indo até as comunidades carentes para mostrar a possibilidade de estudar e estando presente na escola para receber os  meus alunos. Por sorte, consegui manter a presença de todos os alunos que compareceram nesta primeira semana. Mas, depois eu comento sobre o tal do programa e a minha luta.

Hoje eu queria discutir um pouco sobre o autor de Alice no País das Maravilhas e tentar redimir a figura deste autor que é mal compreendido. Digo isso por ele ser acusado de ser pedófilo, o que seria comprovado pela sua outra profissão (fotógrafo) e pelo próprio livro de Alice que supostamente serviria para atender ao seu fetiche.

Lewis Carroll é o pseudônimo de Charles Dodgson, um dos maiores expoentes da literatura inglesa do século XIX. Destacou-se pelos dois livros no qual apresenta a personagem Alice que vive mil aventuras em mundos completamente insanos. Curiosamente, ele publicou poucos livros e somente os dois de Alice foram os que mais se destacaram. Carroll publicou estes livros muito por acaso, pois a idéia de escrevê-los veio de seu contato com crianças que frequentavam o campus onde ele dava aula. Ele era um professor de matemática, apreciador de jogos mentais e quebra-cabeças, além de fotógrafo nas horas vagas.

A personagem Alice provavelmente se inspirou em uma das crianças a qual ele convivia, Alice Pleasant Liddell. Carroll contava histórias de aventuras para entreter estas crianças. Alice Liddell gostou tanto da história que pediu que Carroll a publicasse. Atendendo a seu pedido, Carroll publicou o livro mais tarde, acrescentando duas cenas na versão final: a cena do gato de Cheshire e a do Chapeleiro. 

A relação entre Alice Liddell e o autor de Alice era muito próxima. Na época, a fotografia tinha um status de expressão artística. Carroll usava as horas vagas para tirar muitas fotografias seja de paisagens,  seja de crianças. Estava na moda na época a fotografia encenada: o fotógrafo vestia o fotografado com uma fantasia ou uma roupa qualquer e escolhia um cenário adequado. Vejam a foto abaixo:

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Esta é Alice Liddell posando para uma fotografia vestida como uma mendiga. Vejam o trabalho realizado na fotografia: o cenário escolhido, as roupas vestidas pela menina e até o olhar da criança. Tudo encenado e dirigido por Carroll. Ele era um diretor estrito em seus empreendimentos. Para ilustrar Alice no País das Maravilhas, Carroll contratou John Tenniel, um famoso ilustrador de panfletos de oposição ao governo. Ele dirigiu de perto as ilustrações de Alice, dizendo até o que John Tenniel tinha que desenhar. Aliás, para quem quer conhecer Alice Liddell em roupas normais, aí vai:

ImagemOutro elemento que alimentou a polêmica figura de Lewis Carroll foram as fotos de nu artístico infantil que ele teria tirado. Como eu mencionei acima, a fotografia possuía um status de arte no século XIX. Carroll tirava as fotos com a permissão da família, enviava as fotografias e ficava com os originais. Algumas pessoas questionaram essas fotos com as famílias que, até aquele momento, não haviam sentido nenhum mal nas fotografias. Quando souberam, procuraram Carroll que ficou muito entristecido com o fato. Nós temos poucas informações a respeito desse tipo de fotografias porque quando Carroll soube das denúncias e da preocupação das famílias, ele queimou todos os originais. Muitas famílias fizeram o mesmo com as suas fotografias. As que restaram foram de famílias que apreciaram o trabalho dele e mantiveram guardadas as fotos.

Na minha opinião, Carroll não foi um pedófilo. Foi um artista e um professor incompreendido entre os seus pares. Quem lê Alice, percebe toda a preocupação de Carroll com os mais ínfimos detalhes de sua obra. 

 

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