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Como sempre, este que vos fala está em atraso com as postagens. Mas, sinto decepcionar os meus leitores, isto vai acontecer com frequência. Sou meio preguiçoso, ando muito atarefado e com o retorno das aula vai ficar cada vez mais difícil. Quero pedir desculpas de antemão porque essa semana talvez eu não consiga postar antes de sábado. Isso porque estarei em um curso de capacitação que me tomará o dia inteiro (mais uma semana sem ir na academia…. ai ai…)

Mas, bem, chega de whining e vamos ao que interessa.  Na segunda semana do meu curso sobre obras de fantasia e ficção científica, abordamos sobre Alice de Lewis Carroll. Lemos a obra completa, contendo Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho e O Que Viu Além (Alice in Wonderland e Through The Looking Glass). Vou usar os títulos no original, ok?

Nessa primeira postagem sobre a maravilhosa obra de Lewis Carroll, vou abordar o tema do ensaio que entreguei para avaliação do curso. Nele, aproveitei uma aula de metodologia que tive no mestrado e pude compreender porque meu professor citou a obra de Carroll no meio de uma aula de metodologia da história. 

Inicialmente, fiquei chocado com a menção. Não compreendi a princípio, depois li um pouco da obra e achei que havia entendido. Por fim, na minha terceira leitura as luzes se acenderam e finalmente entendi o motivo. E é genial, embora exija um pouco mais de elaboração. Vou jogar a bola para vocês, leitores, pegarem e avaliarem à sua maneira.

Alice in Wonderland é uma obra ímpar para buscar entender o que é o método científico. Ele mostra como uma menina passa de um entendimento simplista para um outro olhar de mundo, mais complexo e elaborado. Loucura? Não. Vamos pensar um pouco. Alice começa em seu jardim até que é atraída por um coelho falante, possuidor de um relógio de bolso. Ela o segue e chega até um mundo cujas regras são completamente distorcidas do mundo real. Alice procura resolver todos os problemas que se desenrolam em Wonderland a partir de uma noção de senso comum. Por exemplo, na Festa do Chá, ela vê uma mesa disposta com várias xícaras e várias cadeiras e se senta na principal para tomar chá. Quando a Lebre de Março a expulsa, ela não compreende. A Lebre explica que o lugar está ocupado por ela, lebre. Alice argumenta que a Lebre está sentada em outro lugar e que a mesa possuía várias xícaras. Mas, a Lebre rebate dizendo que como é sempre 6 horas e eles precisam sempre lavar as xícaras, não haveria tempo de lavar todas, então a Lebre e o Chapeleiro simplesmente trocam de lugar e bebem em outra xícara. Para Alice, está é uma situação absurda, incompreensível para a sua noção de mundo. Se existem muitas xícaras e muitas cadeiras, o senso comum diz que a mesa havia sido preparada para muitas pessoas. Todavia, novo mundo, novas regras.

Outra situação onde Alice exerce o senso comum é no início de Looking Glass. Ela encontra a Rainha Vermelha e elas começam a correr. Alice corre para poder atravessar o rio, assim poderia se tornar mais rapidamente uma rainha.  Mas, a Rainha Vermelha lhe diz que as pessoas correm para poderem ficar paradas. Alice não entendeu; segundo a sua lógica era preciso correr para se chegar a algum lugar. A Rainha Vermelha disse que isso não era verdade; no mundo de Looking Glass era preciso correr ainda mais rápido para poder sair do lugar. Mais uma vez, o senso comum de Alice esbarra nas estranhas regras desse mundo amalucado.

Ao longo da história, Alice vai desenvolvendo o seu conhecimento de mundo. A partir das situações, ela vai compreendendo os mecanismos de funcionamento deste mundo. Em outras palavras, a partir de sua experiência empírica, Alice compreende dedutivamente o que fazer a seguir. Isso se mostra durante o julgamento do Valete em Wonderland. Ela utiliza as regras de Wonderland para retorquir uma lei inventada pelo Rei de Copas. O Rei inventa uma regra de número 49, que ele diz ser a mais importante de Wonderland, e o Valete havia desrespeitado essa lei. Alice contra-argumenta que, se a lei era tão importante assim, ela devia ser a número 1 e a não a número 49.  A partir de sua experiência empírica, Alice foi capaz de fazer valer a sua contra-argumentação. 

Isso a gente pode perceber no diálogo entre Alice e Humpty-Dumpty. Ambos argumentam sobre assuntos variados e Alice usa o seu conhecimento de que as regras em Looking Glass são ao contrário para conseguir compreender Humpty-Dumpty. Pura dedução lógica a partir da empiria.

Alice representa a nós, universitários, quando entramos para o mundo da universidade. Queremos resolver todos os problemas e argumentar em todas as situações a partir de nosso limitado conhecimento de mundo, a partir de nosso senso comum. Quanto mais experiência e conhecimentos são apresentados, vamos ganhando uma noção de mundo muito maior. Nossas cabeças abrem para um novo universo e podemos usar esse conhecimento para deduzir as soluções para novos problemas. 

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