ImagemUma coisa pode ser afirmada sobre os contos de fadas dos irmãos Grimm: eles são carregados de elementos simbólicos. Por exemplo, a cor do gorro de Chapeuzinho Vermelho implica uma vontade do protagonista de abandonar o seu aspecto infantil e estar disponível para a fertilidade.

Parece loucura? Também acho. Mas fiquei impressionado com a carga de elementos simbólicos presentes nas histórias. E em muitos casos achamos as colocações inocentes ou desprovidas de maiores significados.

Eu ia começar uma postagem sobre os irmãos Grimm, mas decidi mudar e abordar uma outra temática: o quanto, nós, leitores, influenciamos o feedback de um livro ou damos significado a determinada passagem? Estamos agora em um trabalho sobre a obra de Lewis Carroll e ela é uma literatura denominada nonsense (sem sentido). Muito de nosso trabalho tem sido prejudicado pelo simples fato de Carroll não ter seguido qualquer parâmetro lógico ao criar sua história.

Ao pensar sobre esse tema, logo me vem a cabeça obras como Matrix onde existe um caldeirão de informações arremessadas ou a série de TV Fringe (infelizmente encerrada). Em Matrix discutimos filosoficamente se a nossa realidade existe ou estamos em um mundo como o do filme. Ou em Fringe a presença de elementos oriundos de outras obras de ficção científica. Mas será que os autores quiseram dizer isso? No caso de Fringe, realmente acredito nisso porque não só os roteiristas são fas de Bradbury, Asimov e Cia, como ele afirmou a existência desses easter eggs ao longo dos episódios.

Indo por outra direção, Ray Bradbury muito criticou quando sua obra máxima Fahrenheit 451 foi dito como uma análise da sociedade midiática e o futuro da humanidade em geral. Ele, em entrevista, disse que o livro era apenas uma história crítica sobre os perigos da televisão. Em nenhum momento ele desejou fazer uma análise mais profunda.

 

Isso só prova o quanto o universo literário é fascinante. Ser capaz de estimular nossa imaginação a ponto de criarmos significados aonde eles não existem, só prova a competência de certos escritores de fantasia. Nos apropriamos com uma frequência absurda dessas histórias fantásticas e as tornamos parte de nossa realidade sensível.

Uma frase que eu li esses dias resume tudo: Uma “história” não é “apenas uma história”, mesmo se “apenas uma história” fosse tudo o que o  autor tivesse imaginado quando a escreveu.

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