Imagem

De uns anos para cá, um gênero literário retornou às prateleiras de nossas livrarias: as distopias. Distopias são universos construídos em cima de um mundo pós-apocalíptico em que alguma coisa saiu errado na sociedade humana a qual se vê em uma condição menos favorável. Metade do mundo pode ter sido dizimado, uma doença afligiu a população, contato com alienígenas que fez com que a sociedade alterasse ou uma catástrofe iminente. Tudo isso e muito mais já foi usado como roteiro para histórias incríveis e outras nem tanto.

 

No gênero litarário temos vários exemplos. Alguns clássicos são Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e 1984 de George Orwell. O segundo é o mais famoso por ter tido uma adaptação famosa para o cinema. Nessa obra, o protagonista vive em um mundo pós-apocalíptico em que o Estado é opressor e disciplinador, administrando um mundo à beira de uma catástrofe alimentar. Apenas os ricos têm direito a viver na opulência enquanto os mais pobres são oprimidos e têm suas atitudes cotidianas reguladas por câmeras administradas pelo Grande Irmão.

 

No cinema vimos vários tipos de distopias sendo a mais famosa Blade Runner – O caçador de andróides baseado em um conto de Phillip K. Dick. Neste filme, o protagonista interpretado por Harrison Ford é um caçador de andróides que são muito parecidos com os seres humanos. Sua única diferença é que são máquinas com um curto tempo de vida. São capazes de possuir até mesmo memórias de outra pessoa implantadas neles pelos seus criadores. O plot começa quando começam a ser criados andróides com um tempo de vida maior.Imagem

Mas, aonde eu queria chegar é que, apesar de esse ser um gênero literário existente a várias décadas, nos últimos anos ele vem ganhando força. Romances como Legend de Marie Lu e Partials de Dan Wells são apenas alguns exemplos de tantos outros chegados às lojas. Isso pode significar que estamos entrando em um ciclo literário onde essas histórias servem para demarcar possíveis mudanças na nossa sociedade.

Estamos vivendo um momento de discussões sobre o aquecimento global e conflitos no Oriente Médio, além de termos acabado de sair do ano de 2012 quando muito se falou no apocalipse maia. Nossa sociedade se tornou mais cínica, individualizada; ter fé é coisa de religiosos chatos e conservadores. Os milagres não existem ou são truques de mágica podendo ser desvendados pelo próximo Mr. M. O mundo perdeu um pouco de sua magia e isso pode estar sendo refletido na maneira como os autores criam suas histórias.

Não digo que nossa sociedade atual é a inspiração primordial para o surgimento dessas histórias, mas pode ser um bom sintoma. Phillip K. Dick, um dos mais famosos escritores desse gênero literário viveu nos anos 60 quando a possibilidade de um holocausto nuclear era real. De sua pena saíram grandes histórias como Ubik, O Homem do Castelo Alto e Valis, todos situados em um futuro extremamente pessimista. Em comum entre esses romances está a busca do homem pelo que o faz ser homem. O que é um ser humano? Essa é uma pergunta recorrente na obra deste autor (pode ser vista também em Blade Runner).

Anúncios