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Finalmente consegui alcançar a mim mesmo em quantos filmes estou vendo neste momento. A partir de amanhã farei algumas postagens acerca de alguns temas literários. Só para variar um pouco.

Pulp Fiction ou Tempo de Violência é uma das obras-primas do gênio do cinema Quentin Tarantino. Conta com uma constelação de atores como John Travolta, Samuel L. Jackson e a queridinha de Tarantino, Uma Thurman. Diga-se de passagem, meu primeiro contato com a obra desse gênio foi Kill Bill onde Uma Thurman atuava com a personagem principal. 

Digo logo de passagem que o filme, assim como Budapeste comentado por mim ontem, não é um filme para qualquer um. Não recomendo esse filme para espectadores tradicionais de cinema. Trata-se de uma obra de vanguarda, usando e abusando de técnicas de câmera e truques de roteiro como histórias intercruzadas e flashbacks e flash forwards. É um filme que pode não ser agradável e/ou fácil de ser assistido por todos. Eu achei o filme muito bom; talvez não excepcional como muitos acham, mas muito bom. Digo isso porque achei a narrativa de Kill Bill muito mais interessante.

Vincent (John Travolta) e Jules (Samuel L. Jackson) são dois homens de confiança de um poderoso gângster chamado Marcellus (Ving Rhames). O filme mostra uma noite e um dia na vida desses dois personagens ao mesmo tempo em que suas histórias se cruzam com a de um boxeador fracassado chamado Butch (Bruce Willis). Nada mais são do que 4 contos em que violência e valores morais são discutidos.

Um dos grandes trunfos dos filmes de Tarantino são os diálogos. Sempre ricos e de um humor negro fenomenal, Tarantino faz com que nós pensemos em muitos fatos considerados por nós como senso comum. Além disso, cada personagem é único per se: Jules sempre cita uma passagem do livro de Ezequiel antes de matar alguém, Butch tenta controlar o seu temperamento forte ao mesmo tempo em que lida com sua frágil e doce namorada Fabienne (Maria de Medeiros), Wolf (Harvey Keitel) é um bandido à moda antiga. O roteiro do filme revela o que existe de melhor e o de pior nas pessoas.

Para mim quem transpareceu como a sensação no filme é a Uma Thurman. Ela está muito à vontade no papel e a cena dela tendo uma overdose fala tudo sobre o personagem. Acredito que esse papel de mulher fatal a la Marilyn Monroe caiu bem para ela (fiquei até curioso como ela está na série Smash, onde ela faz um papel parecido). John Travolta está bem no filme… entrega, mas nada espetacular. Da dupla de protagonistas, Jules e Vincent, Samuel L. Jackson está melhor. É um personagem complexo e cheio de nuances: a luta ideológica que ele tem entre manter a profissão ou abandoná-la é muito boa.

A trilha sonora é maravilhosa. É ela quem dá o ar noir ao filme juntamente com os cenários. É um daqueles casos em que a trilha sonora amplia a capacidade de imersão do filme. Quanto aos cenários basta analisá-los individualmente: uma loja de armas, um motel sujo, um bar estilo anos 50 em que a grande pedida é um milk shake bem batido (fico me recordando da cena em que o Vincent pergunta ao garçom se nesse milk shake tinha álcool). 

Enfim, nota 9,0. Minha única reclamação é que eu achei o plot bem superficial. Sai de lugar nenhum e chega a lugar algum. São pequenos contos que mostram as camadas de personalidade de cada personagem. Salvo o Butch cuja história tem uma resolução clara, os outros ficam um pouco no ar. 

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