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Aqui  estou eu mais uma vez com a minha terceira de quatro resenhas de filme (estava atrasado com elas por causa da construção do blog). Dessa vez queria falar um pouco sobre o filme Budapeste, baseado no livro de mesmo nome escrito por Chico Buarque. Trata-se de uma produção internacional, patrocinado pelo governo da Hungria com o apoio de Brasil e Portugal. 

Em primeiro lugar, gostaria de avisar aos navegantes que este não é um filme fácil de ser assistido. É maravilhoso, mas por causa da sua condução, não agrada a gregos e troianos. Assista quem quiser ver um filme-arte ou, como alguns chamam, um filme cult (não gosto dessa expressão… explicarei em outra postagem o motivo). É um filme vanguardista, possuindo em muitos momentos um tom de poesia. Provavelmente o diretor quis manter um pouco do ritmo da obra de Chico Buarque.

Gostei muito do roteiro do filme. O ritmo da história é como uma brisa em uma tarde de outono: ora vem suave, ora vem devastadora. O filme conta a história de um “ghost writer” chamado José Costa interpretado por Leonardo Medeiros. Um “ghost writer” é um escritor por encomenda, responsável por colocar no papel a vida de uma pessoa que posa como o verdadeiro autor da biografia. Funciona como um fantasma, vivendo à sombra do sucesso de seus biografados. Entretanto, após uma viagem para a Hungria, se vê apaixonado pela língua local que, segundo ele, seria uma poesia em forma de fala. Quando retorna ao Brasil e reencontra sua esposa e filho, percebe que sua carreira como “ghost writer” e mesmo sua vida pessoal são tediosas. Passa a murmurar palavras em húngaro durante o sono e é a partir disso que toda a sua vida e carreira sofrerão um revés. 

Uma coisa precisa ser dita: a atuação de Leonardo Medeiros está estupenda. Realmente passa o ar de um artista (no caso, um escritor) sofrido e com crise de identidade. As cenas na qual ele imagina determinadas situações são primorosas. Mesmo o ritmo da história está coerente com o grau de confusão do escritor. Existe também uma química muito grande entre ele e a atriz húngara que interpreta Kryska (seu interesse amoroso em Budapeste). 

Gabriela Mamori interpreta uma professora de húngaro que, em suas horas vagas, trabalha como voluntária em uma clínica para idosos. Ela representa no filme uma espécie de porto seguro para Leonardo Medeiros. Faz um contra-ponto muito bom para Giovanna Antonelli, cujo casamento com Leonardo Medeiros parece ter sido obra de uma coincidência. Enquanto Giovanna Antonelli representa o lado fútil e interesseiro, Gabriela Mamori representa um incentivo ao artista que existe dentro de Leonardo Medeiros. O diretor do filme consegue passar muito bem isso.

Também é interessante a fotografia e o cenário do filme. Enquanto o Rio de Janeiro aparece sempre como um ambiente confuso e triste onde o ator se sente oprimido, Budapeste aparece sempre como um cenário paradisíaco. Duas cenas são emblemáticas: uma caminhada de Leonardo Medeiros pelo Centro do Rio em um cenário metropolitano e seu olhar cabisbaixo e pensativo; a outra cena é o ator de frente para o Rio Reno observando gôndolas e castelos, simbolizando um cenário bucólico onde ele se sente à vontade para criar.

Enfim, o filme é muito bom, mas, por ser um filme difícil de ser assistido, dou uma nota 7,0 para ele. Não compromete, tem um bom ritmo se você, espectador, der uma chance a ele. 

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