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Segunda das minhas quatro resenhas atrasadas. Mais um filme dos anos 80, este é conhecido como sendo um clássico. 

Falcão (Hawk, no original) é um caminhoneiro e, nas horas vagas, um homem que gosta de uma disputa de queda de braço. Homem de maneiras simples e pouco estudado, Falcão conheceu a filha de um homem rico com a qual teve um filho. Por causa da pressão do pai, Falcão abandonou a mulher que amava, deixando um filho para trás. Este filho acabou crescendo sob a tutela do seu avô e teve uma educação refinada. Muitos anos depois, quando a mulher de Falcão se encontra terrivelmente doente, ela pede a seu filho que passe algum tempo com seu pai enquanto estão a caminho de vê-la antes de uma difícil cirurgia em um hospital. Pai e filho precisam recuperar o tempo perdido ao mesmo tempo em que a simplicidade do pai entra em conflito com a educação e modos refinados do filho. O que talvez possa os unir é uma competição de queda de braço no qual Falcão se envolve.

Bem, esse é um típico filme de road trip, um hábito extremamente comum entre os norte-americanos. O road trip nada mais é que uma viagem ao interior do país dirigindo um carro, uma moto, a pé ou pedindo carona. Aqui no Brasil poucas pessoas têm esse hábito apesar de eu conhecer alguns amigos mochileiros que se aventuraram pela América do Sul. Mas existe mais uma peculiaridade: o road trip geralmente é uma viagem de família enquanto que o mochileiro às vezes é um solitário. 

Mas, bem, sendo um road trip a história possui teoricamente um final claro: o encontro com a mãe. É aí que o diretor do filme coloca um plot twist e dirige a história para um outro caminho. No fundo, nada mais é que um pai querendo conhecer seu filho e este, mimado e metido, desdenhando do pai até que uma atividade feito pelo pai os une. Esta atividade se torna o ponto fulcral onde pai e filho começam a resolver suas diferenças.

É um filme bem simples e com uma premissa pouco audaciosa, como a maioria dos dramas da década de 80. E mesmo assim é uma trama muito bacana, conseguindo alcançar seu objetivo. Se eu posso fazer uma crítica ao filme é justamente este excesso de simplicidade. Teria sido possível desenvolver melhor os personagens secundários como a mulher de Falcão (da qual nem lembro o nome) e o pai dela. Este age como o antagonista da história, mas ele é malvado demais (no sentido estritamente maniqueísta do termo). Ele apenas age por aquilo que ele entende ser o melhor para a filha. Mas no filme ele parece ser um vilão inescrupuloso… acho que suas motivações podiam ser melhor explicadas. Quanto à esposa de Falcão, esta passa muito ao léu, fazendo com que nós, espectadores, não nos importemos tanto com ela.

Stalonne está muito bem neste filme. Sem dúvida é um dos melhores de sua carreira, mostrando que ele não é apenas um ator de filmes de ação, mas que sabe encarar um drama. E este tipo de personagem sofrido e simplório se encaixa bem com o seu perfil (vide Rocky e Rambo). Claro que ele fez muita bomba depois disso (lembrem-se daquela pérola chamada Stalonne Cobra), mas ele é um bom ator. Dos atores de filmes de ação (Van Damme, Schwarzenegger, Lundgren, Bruce Willis), o considero mais ator do que os outros. Tem um bom timing nas falas, sabe criar gestos e tiques para seus personagens (a virada de boné do Falcão quando ele fica sério é um toque genial). 

O ator que interpreta o filho do Falcão também está muito bem. A atuação dele é coerente com o personagem no filme: começa como um moleque metido e irritante, mas que vai se encantando pouco a pouco com o jeito simples do pai. A cena dos dois fazendo flexão e levantando pesos é tocante. Isso entre outras cenas.

Gostei de onde o filme foi ambientado. Dá o ar de filme típico de road trip: desertos, canyons, lanchonetes de beira de estrada. Tudo muito marrom, mostrando a natureza simples e da terra de Falcão. Somente no final vemos algumas cenas em Las Vegas. A trilha sonora também é muito boa. Gosto dessas músicas new age dos anos 80 e podemos vê-las sempre em momentos emblemáticos do filme (durante a viagem na estrada, o momento da separação de pai e filho e até o campeonato de queda de braço).

Dou uma nota 8,0 para o filme. Acho que poderia ser melhor, mas ainda assim é um excelente filme. Boa pedida para uma tarde de sábado ou domingo quando não há nada para fazer depois de um dia de praia ou de um passeio.

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