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O Mundo de Sofia é, nas palavras do autor, um romance sobre a história da filosofia. Uma menina chamada Sofia Amundsen começa a receber estranhas cartas e folhas de fichário de um estranho que lhe faz perguntas profundas como: De onde vem o mundo e Quem é você. Essas folhas de fichário parecem contar progressivamente a história da filosofia ocidental. Aos poucos, Sofia recebe pacotes e cartões endereçados a uma menina chamada Hilde Moller Knag da qual ela não tem a menor relação. O que as aulas de filosofia, Hilde Moller Knag e um major da ONU estacionado no Líbano tem a ver com Sofia?

Bem, vou apresentar meus pontos positivos e negativos sobre a obra. Mas, já aviso logo àqueles que são fãs da escrita de Jostein Gaarder que não gostei do livro. Em uma escala de 0 a 10, dou 6,0 e olhe lá. Explicarei meus motivos a seguir. 

O autor, Jostein Gaarder, é norueguês e um estudioso de filosofia, teologia e literatura. Dedicou-se ao objetivo de ser uma ponte entre leigos e a filosofia. É um autor muito preocupado com o ensino de filosofia e seu impacto nas novas gerações. Estas, para ele, estavam muito distantes do ensino da filosofia como era feito pelos antigos gregos, dedicados à compreensão de seu lugar no mundo. O Mundo de Sofia é sua obra seminal, mas podemos destacar outros como O Dia do Curinga, Maya e O Castelo dos Pirineus. 

Como uma obra de história de filosofia é uma obra fantástica. Ele não esqueceu de nenhum ponto, talvez eu tivesse outros autores interessantes como Thomas Morus, Montaigne e Proudhon, mas foi a escolha do autor e não podemos criticar. Em filosofia, às vezes temos mais interesse em alguns do que em outros. Gaarder tocou nos pontos principais de cada filósofo e não enrolou muito. É impossível abarcar todo o corpo constituinte da filosofia de um determinado autor; ele passaria mais de 2000 páginas fazendo isso e mesmo assim não conseguiria pegar tudo. 

Também gostei dos exemplos usados por ele: simples e compreensíveis. Ótimos para serem usados em sala de aula, sendo atemporais ao mesmo tempo em que se relacionam com o cotidiano de um leitor leigo. Nesse ponto, a filosofia parece realmente acessível a todos. Deixa de ser aquele ser estranho que homens loucos gostam de estudar. Gaarder traz a filosofia para próximo de nós. Lendo o livro parece fácil ser um filósofo. 

O problema é que eu não concebo esse livro como um romance. Digo isso porque o autor não desenvolve muito a história. Ele se preocupa demais em passar todo o conteúdo desejado e a história acaba por se tornar arrastada e desconexa em várias oportunidades. O início e o fim do livro são muito legais, mostrando que o autor poderia ter feito algo muito bom. Ele deixou bons ganchos de história, inaproveitados. 

Seria possível apresentar o conteúdo de várias maneiras diferentes: eu não sou escritor, mas pensei em pelo menos 10 formas diferentes. A história da filosofia é apresentada de forma extremamente expositiva, tornando a leitura chata e tortuosa em muitas oportunidades. Eu sinceramente não daria O Mundo de Sofia para um aluno  de 15 anos se interessar mais por filosofia. Muito pelo contrário, eu o afastaria; se dosado, pode ser uma boa leitura. Penso em usar trechos do livro como uma introdução em uma prova, mas não a obra completa. 

Um romance expositivo é uma descrição chata e maçante de acontecimentos. É preciso entender que os adolescentes querem uma leitura dinâmica e interessante. Se fugimos desse objetivo, espantamos nosso público. Por que um Dan Brown ou um Stieg Larrson são sucessos? Simples… escrita instigante. Eu quero saber logo o final porque se eu não ler ficarei curioso.

Outra coisa que me chateou muito foi a inconstância da personagem principal. Cadê a coerência??? No início do livro, Sofia é uma adolescente comum que vai tendo sua curiosidade atiçada por um misterioso professor de filosofia. Ela parece ser uma menina curiosa, se engajando nas discussões. Mas, na metade do livro, ela se torna uma pirralha chata e grosseira. Minha vontade era de dar umas porradas nela. Aí depois ela volta a ser curiosa para 50 páginas depois ser uma garota lerda e malcriada. Onde está a coerência? O autor não deixou entender nas 150 primeiras páginas que essa era a personalidade dela… surgiu do nada. Se era para Sofia ser uma garota chata e malcriada, ele precisava ter apresentado a partir de situações que essa era a personalidade dela. Ou, sei lá, dizer isso em um parágrafo.

Enfim, não foi das melhores leituras, mas recomendo a pessoas que já possuam interesse em filosofia. Novatos gostarão dos 10 primeiros capítulos porque depois a leitura começará a ficar truncada.

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